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segunda-feira, 17 de abril de 2023

20.04 SOS COMUNIDADE ESCOLAR * Juventude Comunista Revolucionária/JCR

 20.04 SOS COMUNIDADE ESCOLAR


Que tal partir da gente, como pais, um dia de compaixão, amor e gratidão nas escolas do Brasil? E que tal o dia 20 de abril, próxima quinta-feira? 


Cada criança leva uma flor, um bombom, um cartão, um abraço para ser distribuído entre professores, colegas, coordenação, direção, toda a equipe de limpeza.


Precisamos mudar o foco para um movimento positivo e construtivo. Vamos produzir momentos para compartilhar o bem, dentro e fora do colégio. Cada um compartilha aí uma frase pelo que é grato dentro do ambiente escolar. Lembre-se da época em que era criança, adolescente dentro de uma instituição de ensino.


Vamos viralizar esse post e também o sentimento de compaixão!

Dia 20.04.2023, próxima quinta, compartilhe o bem dentro e fora do colégio!

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Ataques nas escolas: como abordar o assunto com as crianças

A psicóloga e autora do livro “Socorro, tenho filhos” Carol Bitar dá orientações de como conversar com as crianças diante das ameaças de violência ...
14/04/2023 12h20Atualizada há 3 dias
Por: RedaçãoFonte: Agência Dino


Acontecimentos recentes de ataques e ameaças em escolas têm deixado muitos pais e profissionais da educação bastante apavorados. E apesar de medidas preventivas estarem sendo adotadas em inúmeras instituições de ensino, muitos pais estão se sentindo inseguros e sem saber como abordar esse tema com os próprios filhos.

Episódios de violência ou tragédias são assuntos difíceis de serem abordados com crianças, podem também causar ansiedade e medo nos filhos de permanecerem nas escolas que deveriam ser consideradas ambiente seguro para eles.

Carol Bitar, psicóloga e também autora do livro “Socorro, tenho filhos”, explica que o medo e a ansiedade são emoções naturais e importantes para nossa sobrevivência, porém quando são sentidas de maneira intensa e frequente podem gerar inúmeros prejuízos, inclusive o adoecimento mental na própria infância.

“Em razão desses trágicos episódios de violência em escolas, precisamos ter muito cuidado de como vamos orientar nossos filhos sem criar pânico e receio de permanecer nas instituições de ensino, para que este ambiente continue sendo um lugar saudável e acolhedor.”

Falar ou não sobre os ataques?

Segundo Carol, vai depender da idade e perfil da criança, e ela diz: “Primeiro temos que avaliar qual o objetivo de transmitir essa notícia para criança. É para alertar? Para ensinar estratégias de proteção em situações de risco? Não precisamos compartilhar notícias de violência sem ter uma real finalidade, isso pode gerar medo intenso nas crianças e quebrar a confiança de que a escola é um lugar seguro de ficar.”

A psicóloga destaca que crianças a partir dos 4 anos já começam a entender alguns acontecimentos, então é interessante os pais ficarem atentos se elas já tiveram acesso a algum conteúdo de notícias a respeito dos casos. Se sim, é interessante conversar com seu filho e entender o que a criança compreendeu sobre o fato, o que ele está pensando sobre isso, como ele está se sentindo e em seguida acalmá-lo para não gerar pânico ou emoções mais intensas.

E o cuidado tem que ser mais ainda se a criança já apresenta algum nível maior de ansiedade.

“Fale como você percebe a situação, que apesar de também ter ficado triste e com medo, você e a escola estarão sempre ali para protegê-lo e manter o local mais seguro possível. Que a escola continua sendo um lugar de proteção e cuidado. É importante também frisar para criança que no mundo apesar de ter algumas pessoas más, temos muito mais pessoas boas dispostas a fazer o bem.”

E quando a criança apresentar muito medo?

A especialista explica que é preciso muito acolhimento com a criança.

“Devemos validar o que a criança está sentindo, nunca menosprezar suas emoções e pensamentos, mas ao mesmo tempo tranquilizá-las com exemplos concretos de segurança, mostrando para ela que existem portões, que os adultos estão ali para protegê-las, e mais que nunca todos estão atentos.”

Caso esse medo prolongue ou a criança comece a apresentar comportamentos ansiosos como: choro frequente, dores de barriga ou cabeça, verbalização que está com muito medo, muita agitação, são alguns sinais de alerta para procurar um psicólogo para investigar e ajudá-lo nesse processo.

Informação de segurança

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, o disque 100 receberá também denúncias de ataques em escolas. Para isso o denunciante precisa informar o local e informações sobre o suspeito. (https://www.gov.br/mj/pt-br/escolasegura)
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quinta-feira, 6 de abril de 2023

INDIFERENÇA TAMBÉM MATA * Juventude Comunista Revolucionária/JCR

INDIFERENÇA TAMBÉM MATA

JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA / JCR

A violência não se propaga sozinha. Ela não decide ser violência. Ela nasce de ações credenciadas pela sociedade, que são propagadas como norma, como coisa normal, ou algo necessário, que precisa e deve ser feito. Observem que ela exige um protagonista, um ícone, seja uma pessoa ou um símbolo, que vão funcionar como dispositivo transmissor da mensagem violenta. Exemplo são os filmes de ação, a suástica nazista, os atletas vitoriosos etc. Tudo que seja entendido como virtuoso serve de agente propagador. Nesse contexto, a "promoção" que a mídia fez de Bolsonaro obedeceu a esses princípios, uma vez que o objetivo era fascistizar a sociedade e colocá-la de joelhos ante o seu algoz: os interesses mais mesquinhos que o capitalismo produz, ou seja o neoliberalismo implementado pela onda imperialista ocidental, que já vimos aonde chegou, causando um apocalipse na Ucrânia.

Por isso, o linchamento promovido contra tudo que seja entendido como ESQUERDA, às custas do anticomunismo mais esdrúxulo já vista na história humana, dando sequência à campanha midiática norteamericana de combate ao terrorismo.

Daí, a prisão de Lula, a desgraça promovida contra o Brasil através da LAVAJATO, a transformação de Sérgio Moro em superman da justiça, o silêncio ante todas as injustiças ocorridas nesses últimos quatro anos no Brasil, além é claro, do tratamento meramente "factual" das grandes calamidades, como fez com o genocídio da covid-19 em que Bolsonaro fez papel de "Zé Gotinha" da cloroquina e deu gargalhadas cinematográficas com a morte de 700 mil brasileiros.

AGORA, E SÓ AGORA,

sobre os cadáveres de 4 inocentes, me aparece a Rede Globo propagando a sua mais irracional indiferença, com a desculpa de CONTER O EFEITO CONTÁGIO

 PAULO HENRIQUE AMORIM DENUNCIA

A PRISÃO DE LULA, O SEU ENCARCERAMENTO E A CONDENAÇÃO SEM NENHUMA PROVA, TUDO FEITO COMO ALGO PERFEITAMENTE NORMAL.
Hordas de criminosos tomam a mídia, como se fossem gente de bem, que é como se denominam.
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AÇÕES EMERGENCIAIS RESOLVEM?

"LULA ANUNCIA 150 MILHÕES PARA REFORÇAR AS PATRULHAS ESCOLARES EM TODO PAÍS POR RONDAS POLICIAIS E GUARDAS MUNICIPAIS
FALA DO MINISTRO FLÁVIO DINO

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anunciou na tarde desta quarta-feira (5/4), que o presidente Lula vai disponibilizar uma verba de R$ 150 milhões a estados e municípios para o fortalecimento de rondas policiais escolares e guardas municipais. A medida é a primeira resposta efetiva do Executivo federal ao enfrentamento à onda de violência e ataques em escolas e creches


A verba, segundo Dino, será disponibilizada via edital e a ação será financiada pelo Fundo Nacional de Segurança Pública. O oferecimento desse montante foi anunciado por ministros como Dino e Camilo Santana, da Educação, após uma reunião emergencial no Palácio do Planalto deles com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Além de divulgar essas ações emergenciais, governo federal também criou um grupo interministerial para formular outras medidas de enfrentamento a essa crise. O grupo reúne pastas como Educação, Justiça, Saúde, Direitos Humanos, Cultura e Esporte."

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MBL ESPALHA FASCISMO


E foi assim que tudo começou: com o MBL invadindo escolas para intimidar professores,
ensinando jovens e crianças a odiarem professores e o ambiente escolar. Fernando Holiday visitou duas escolas públicas da periferia da cidade para fiscalizar o conteúdo dado aos alunos e destratou, ofendeu humilhou professores depois espalhou nas redes sociais. O bolsonarismo ensinou a odiar a escola, a universidade e desrespeitar os professores. E também a resolver os conflitos na bala, no facão, na machadinha, na violência.  Para evitar a violência é preciso reconstruir o senso de comunidade destruído pelo bolsonarismo, porque essa é a forma de evitar a cooptação dos adolescentes e a radicalização por grupos fascistas e radicais de extrema direita nas redes sociais. Esses grupos radicais atuam há anos nos Estados Unidos e foram exportados para o mundo. No Brasil os bolsopatas adoradores dos EUA copiam tudo.

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A VIOLÊNCIA EXIBIDA COMO ALGO NORMAL

MAIS VIOLÊNCIA BANALIZADA
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O BRASIL COM MEDO

O medo é o sentimento mais presente na vida do brasileiro, desde o momento em que passamos a ter certeza de que a violência foi banalizada como arma política.

Em setembro do ano passado, pouco antes da eleição, o Datafolha constatou que 67,5% das pessoas ouvidas tinham medo de sofrer agressões.

Não era medo da agressão por violência cotidiana. O brasileiro dizia temer uma agressão específica, o ataque por motivação política.

Os mesários das eleições trabalharam com medo. O país todo se preparou para ações violentas nas seções eleitorais.

E a violência foi sendo praticada no dia a dia, com mortes provocadas também por questões políticas, até se manifestar com força, como ação coletiva de uma aparente irracionalidade, no 8 de janeiro da invasão a Brasília.

Hoje, sentimos medo dos terroristas que vandalizaram Planalto, Supremo e Congresso e já voltaram para casa.

Sentimos medo nas ruas e dentro de casa diante da possibilidade real de vivermos de novo sob uma ditadura.

Temos medo da prisão arbitrária, da tortura, da perseguição, da cassação de mandatos, dos expurgos nas universidades. Temos de novo medo da morte por represália política.

Mas tudo isso não passou com a eleição em que o fascismo foi derrotado? Não passou.

Até porque o fascismo sofreu apenas uma derrota parcial. Fundamentalistas têm no Congresso bancadas que não tiveram nem na ditadura.

O Brasil teme congressistas que já apresentaram, só este ano, mais de 70 projetos de lei contra a população trans.

Há propostas na Câmara para impedir o acesso de crianças e adolescentes trans a procedimentos médicos, como o uso de bloqueadores de puberdade e hormônios.

Os brasileiros tem em a agressividade política dos vizinhos. Temem familiares com os quais convivem e que usam armas, fazem tiro ao alvo e odeiam negros, pessoas LGBTQI+, indígenas.

O brasileiro tem medo de todas as formas de manifestação do fascismo, por considerar a hipótese de que em algum momento as instituições da democracia podem perder o controle da situação.

E o disseminador desse medo está de volta. O líder das estruturas de propagação de ódio, violência, armamentismo, discriminações e racismo, esse sujeito voltou.

O chefe as milícias digitais, das fábricas de fake news, das difamações e a das ameaças de morte está de volta.

O homem que anunciou, antes mesmo de ser eleito em 2018, que mataria os inimigos na ponta da praia. O sujeito sem escrúpulos que admitiu, já no governo, que sentia atração sexual por crianças.

Ele está de volta como aposta não só da extrema direita, mas de setores ditos liberais. O jornal Folha de S. Paulo considera o chefe do ódio o líder em potencial da direita brasileira, e não só dos extremistas.

Por isso o medo que parecia ter sido afastado para longe está por perto de novo. O imprevisível, o imponderável, o que parece improvável, tudo se mistura para reformar o cenário do terror.

Porque vem aí, em substituição à pauta da caçada aos corruptos, a guerra aos diferentes. Será a intensificação do que chamam genericamente de pauta de costumes.

Um jovem de apenas 26 anos é o encarregado de dizer o que nem a família Bolsonaro diz. O deputado mineiro Nikolas Ferreira é o porta-voz do ataque a gays, trans e a todos os que, na versão bolsonarista, ameaçam a família dita tradicional.

Esse agora é o medo mais presente, o do incentivo à perseguição de pessoas LGBTQI+, para que a pauta da falsa moral prevaleça entre os que se consideram mais normais do que os outros.

E todas as famílias têm gays, ou tem comunistas, ou têm negros ou conexões com amigos, colegas e vizinhos negros. As famílias têm diferentes que serão ainda mais caçados pelo bolsonarismo.

Já matam mulheres, gays e travestis cotidianamente, como parte da nossa realidade pré-Bolsonaro. O bolsonarismo faz o ataque oficial e institucionaliza e normaliza a agressão aos diferentes.

É o medo que volta para o Brasil junto com o sujeito que ficou acampado em Orlando durante 89 dias.

O medo até de ver o ministro Alexandre de Moraes sem forças para enfrentar quase sozinho a ira de Bolsonaro, dos filhos dele, dos milicianos.

Medo de ver que as reações ao fascismo estão sempre aquém das agressões que o fascismo perpetra.

O medo de não reagir e de ficar na dependência da capacidade de discernimento e de reação dos outros. Mas que outros são esses?

O fascismo ainda nos cerca e nos faz desconfiar até da nossa capacidade de enfrentar nossos próprios medos.

MOISÉS MENDES

INDIFERENTE MAS PROMOVENDO A MORTE
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quarta-feira, 29 de março de 2023

A DUPLA TRAGÉDIA DA PROFESSORA ASSASSINADA EM SP * Márcia Friggi / SP

A DUPLA TRAGÉDIA DA PROFESSORA ASSASSINADA EM SP


Texto: Márcia Friggi


       Tento escrever neste momento em que a angústia me paralisa e não consigo fazer mais nada a não ser caminhar de um lado a outro da sala como quem busca uma solução, uma solução que não veio, que tanto tarda, que nunca chega!!! Condições para isso, agora, eu não tenho, portanto considerem esta escrita mais como um grito de indignação e revolta do que um texto.


      Hoje, às 7h e 20min, numa escola estadual da zona oeste de São Paulo, quatro professoras e dois alunos foram esfaqueados por um adolescente de treze anos. A Professora Elisabeth Tenreiro não resistiu aos ferimentos e faleceu. Antes que este grito sabote meu discernimento e impeça um mínimo de senso de justiça e gratidão, meu abraço amoroso para a Professora Cíntia que imobilizou o agressor e impediu uma tragédia ainda maior.


     Eu não quero me referir agora a respeito das possíveis causas que levaram o estudante a cometer esse ato, sobre bullyng, segurança nas escolas ou sinais que nós professores percebemos nos alunos, nada desses assuntos sobre os quais “Especialistas em Educação” vão se debruçar nos próximos dias até a exaustão, até que tudo caia mais uma vez no esquecimento. Nós, que estamos no chão da sala de aula todos os dias, conhecemos muito bem essa realidade, caso alguém queira realmente alguma dica de como prevenir e tentar resolver, venha até uma escola, promova uma reunião com os professores e ESCUTE, apenas escute.


   O que me desespera, agonia, engasga e esfola é a dupla tragédia desse caso: Elisabeth Tereiro de SETENTA E UM ANOS, fazia a chamada hoje, às 7h e 20min da manhã, quando foi esfaqueada CINCO vezes e veio a falecer. SETENTA E UM ANOS! Nisso consiste a tragédia dupla: o assassinato e o fato dessa professora ainda estar em sala de aula. Muitos me dirão, “Era por amor, ela amava a profissão!” “Ela tinha o magistério como missão!” Por certo que havia muito amor no seu trabalho, mas posso assegurar que não foi o amor que a colocou naquele lugar, naquela hora, foi a necessidade. A mesma necessidade que levou um professor e diretor aposentado a dirigir um Uber para mim, na semana passada. A mesma necessidade que assassinou um colega meu, jovem professor de história, num acidente de moto quando ia de uma cidade a outra para lecionar. Muitos de nós têm vergonha de assumir essa condição tão humilhante e preferem romantizar o fato de permanecerem na ativa apesar da idade.


       É preciso muito mais que amor para estar em sala de aula de Ensino Fundamental e Médio, é preciso vigor físico, resistência emocional, firmeza na voz que, muitas vezes é abafada pelo ruído e conversa de mais de trinta alunos. É preciso muita, muita saúde mental!!! É necessária a disposição e energia da professora Cíntia que imobilizou o agressor com um mata leão. Os professores de Ensino Fundamental e Médio estão o tempo todo de pé, caminham pela sala entre um aluno e outro, saem de uma sala para outra, de uma escola para outra, carregam livros, materiais diversos e pesados. Eu tenho cinquenta e sete anos e já sinto dificuldade, imagina aos setenta e um.


      Não foi só o aluno que assassinou Elisabeth Tereiro, foi o Estado, foi a sociedade, foi nossa cultura de descaso com a educação, com os educadores, com o conhecimento. Foi esta infame  era de Ode a ignorância!!! Foi o desprezo pelos professores, muitas vezes perseguidos, menosprezados e humilhados por aqueles que deveriam nos proteger e defender. E nem me refiro aquela “suposta cantora insignificante”, me refiro a autoridades. Só em Santa Catarina, de onde escrevo, dois deputados estaduais têm como projeto a perseguição aos professores.


      Muitas mãos seguraram a faca que tirou a vida da Professora Elisabeth. As mesmas mãos que lhe negaram um salário decente, uma aposentadoria digna. As mesmas mãos que ordenam ataques de toda a natureza aos professores quando estão em greve. Essas mãos lhe roubaram o direito sagrado, depois de uma vida inteira de trabalho, de estar em casa ainda dormindo naquela hora. O direito de, aos setenta e um anos, acordar sem o toque do despertador, sem a pressa dos compromissos. O direito de levantar da cama quando o corpo está preparado para despertar. O direito de tomar um café da manhã sem pressa e dedicar o restante do dia aos afazeres que bem lhe aprouvessem. Por mais que, por vergonha ela negasse, foi a carência que lhe foi imposta por tantas e sucessivas mãos que a conduziram até a escola e a colocaram em frente do seu assassino.


     Às outras vítimas, quatro professoras e dois alunos, ficarão as consequências, as sequelas de tanta brutalidade que nunca são poucas e a mesma e contínua vulnerabilidade e desamparo a que continuarão sendo expostos todos os dias. Essas professoras terão de voltar a sala de aula e, certamente o farão sem nenhum apoio, sem nenhuma ajuda, sem nenhum aparo a não ser aquele que elas mesmas conseguirem prover com seus parcos salários!


      Meus sentimentos e mais profunda solidariedade aos parentes, colegas e amigos da professora Elisabeth! Meu carinho e abraço aos sobreviventes. Por vocês toda esta minha dor que não surgiu hoje e que algum dia, de alguma forma, talvez possa ajudar a modificar essa realidade insana dos professores brasileiros.


(Márcia Friggi)